sábado, 6 de agosto de 2011

Como estudar a Bíblia?


Como estudar a Bíblia

Reserve tempo para ler a Bíblia cada dia.
É bom guardar sempre a mesma hora. Dedique tanto tempo quanto seja possível, cuidando para que outras coisas não interrompam ou atrapalhem seu tempo de leitura e reflexão.

Antes de começar a leitura, peça a orientação e a bênção de Deus.

Algumas pessoas acham útil anotar em um caderno um resumo daquilo que refletiram a partir da leitura bíblica.

Dê os seguintes passos para tirar o maior proveito possível das suas leituras diárias.

1. Selecione um texto bíblico (você pode fazê-lo seguindo o plano de leitura "A Bíblia em um ano").

2. Examine seu conteúdo:
a. A que classe de livros ele pertence? (Um livro biográfico, como um dos Evangelhos, que narram a vida de Jesus; um livro histórico, como o Segundo Livro de Samuel, que relata o reinado do Rei; Davi ou uma carta breve a uma pessoa, como as enviadas a Timó teo ou a uma igreja específica, como as epístolas aos Coríntios.)
b. Qual é o enfoque geral do livro? (Não há necessidade de fazer estudos extensos sobre o livro. É possível fazer isso lendo o primeiro e o último parágrafo do livro ou os subtítulos e as introduções, quando a Bíblia utilizada os tem.)
c. Qual o acontecimento ou qual o assunto registrado nos textos lidos?

3. Leia todo o texto para formar uma idéia do que está sendo tratado nele.

4. Identifique palavras e frases. Há alguma palavra ou frase que se repete através do texto? É possível observar alguma relação de causa e efeito? (As frases repetidas quase sempre são precedidas de "se", "então", "por isso", "porque", etc.) Foi feita alguma comparação? Pessoas, coisas ou conceitos são contrapostos?

5. Leia o texto novamente e pergunte pela sua intenção ou propósito. Procure encontrar o que o autor está querendo dizer. Seja honesto. Não procure encontrar apenas o que você esteja querendo ouvir. A Bíblia contém mensagens que podem mudar vidas.

6. O que você aprendeu sobre Deus neste texto? O que aprendeu sobre a natureza humana? Pergunte-se como esta mensagem se aplica à sua própria vida. Existe algo em sua vida que precisa mudar, por você ser filho de Deus? O que você pode fazer por amor ao próximo? Peça a ajuda de Deus para fazer as mudanças necessárias em sua vida, para chegar a ser uma pessoa melhor.

7. Leia o texto mais uma vez. Há algum versículo que queira memorizar? Por que não o escreve em um pedaço de papel e o leva consigo para poder estudá-lo?

8. Agradeça a Deus o que aprendeu e peça-lhe ajuda para poder aplicá-lo em sua vida.

9. Compartilhe com outras pessoas o que está aprendendo.

A Bíblia em um Ano

Você já leu alguma vez toda a Bíblia?
Para ler a Bíblia em um ano, reserve para isso vinte a trinta minutos ou uma média de 5 capítulos por dia. Comece a ler sua Bíblia hoje mesmo e descubra as riquezas da palavra de Deus.



Fonte:
iLúmina - A Bíblia do século XXI

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Pastor ou gerente? Igreja ou empresa? - Isaltino Gomes Coelho Filho



A
questão não é nova. E me defino logo: a igreja não é empresa e o pastor não é gerente eclesiástico. Sei que um pastor deve ter noções de liderança de grupo e que uma igreja precisa de regras de vivência administrativa. Inclusive, por ser pessoa jurídica, se submeter às leis do país. Mas igreja não é empresa. Igreja é igreja, algo totalmente singular e distinto de qualquer outra organização. E deve ser pastoreada por homens que sejam pastores. Deus deu pastores à igreja (Ef 4.1) e não administradores de empresa. Gerentes devem ficar em empresas, e pastores nas igrejas.



A liderança da igreja não se forma em escolas de administração nem em cursos de liderança. É carismática. Os charismata do Espírito são para fazer a igreja viver. Sem os dons do Espírito a igreja pode ser uma instituição admirável, funcionando bem, como uma máquina azeitada, mas corre o risco de não ser mais igreja. Por charisma não me refiro a curas, línguas, ou sua interpretação. Nas listas de dons do Novo Testamento, estes não são os primeiros alistados. Não discutirei dons, aqui. Posso discuti-los em outra ocasião, mas agora afirmo o seguinte: a igreja e o ministério pastoral têm sido descaracterizados por causa de um enfoque equivocado. Os apóstolos pediram à igreja que escolhesse homens de boa reputação para administrar um problema da igreja, e afirmaram: “Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra” (At 6.4). Esta é a função primordial do pastor: assuntos espirituais. E não me digam que supervisionar colocação de tijolos é negócio espiritual, que não há dicotomia entre vida material e espiritual, que esta separação é platonismo, etc. Posso discutir Platão em outra ocasião, mas ele não tem nada a ver com esta visão. Os apóstolos deixaram claro que tinham algo mais importante a fazer que cuidar de alguns problemas da igreja, que eram relevantes e ameaçavam a unidade, mas que não eram para eles cuidarem. Hoje há uma inversão: os pastores cuidam dos negócios e pedem à igreja que ore por eles. Mas em Atos, os homens da igreja cuidavam dos negócios e os pastores oravam e pregavam.


Ao apresentar o excelente “A vocação espiritual do pastor”, de Eugene Petersen, Ricardo Barbosa faz uma observação muito pertinente. Diz ele que há duas palavras novas, recém incorporadas ao vocabulário atinente à vocação pastoral: líder e terapeuta. Diz ele, textualmente: “Fala-se cada vez menos em formação pastoral e mais em formação de líderes. Curiosamente, ‘líder’ é uma palavra que não aparece na Bíblia para descrever aquele que serve a Deus em sua igreja. Também não aparece na longa história de vinte séculos de vocação pastoral” (p. 7). Continuando o arrazoado, Ricardo diz que quando se fala em pastor, hoje, não nos vem à mente a figura do Salmo 23 ou as responsabilidades sacerdotais de Arão, “mas as imagens do executivo, do administrador, do empresário, imagens de um profissional” (p. 8). Ele faz uma interessante comparação entre pastores e terapeutas seculares. Muitos destes renunciam à ciência, e citam manuais de auto-ajuda. Os pastores deixam de lado a orientação da Palavra, e citam terapeutas incrédulos e almanaques. Sua conclusão é séria: “Nosso chamado é para ser pastores, não líderes ou terapeutas” (p. 11).

Isso se coaduna com a argumentação de Os Guiness, em “Dining with the Devil: the megachurch movement flirts with the modernity” (“Jantando com o Diabo – o movimento mega-igreja flerta com a modernidade”). Para Guiness, o maior desafio do mundo à igreja não é o secularismo, mas a secularização. O secularismo é uma filosofia, e a secularização é um processo. Sendo abertamente hostil, o secularismo, logo é identificado e rejeitado. Mas a secularização vem como um processo, e nos envolve sutilmente, até mesmo porque nós a usamos. Ouvi um líder cristão, nos anos noventas, dizer que “para viver segura, a igreja precisava ter, pelo menos, R$ 10.000,00 em caixa”. A argumentação é mundana, mas me chocou tanto que a comentei aos formandos da Faculdade de Teologia do Amazonas, em 1997, na palavra paraninfal que intitulei de “Quando a igreja troca a teologia pela tecnocracia”, e volto a ela, treze anos depois. Tal líder não entendeu que a maior segurança da igreja está em viver dentro da Palavra, na presença de Deus, e não no seu caixa. Quando há vida espiritual na igreja, o Espírito move os corações das pessoas. Foi assim que o Espírito agiu na vida de José, levando-o a vender seu terreno, sem que houvesse uma campanha para tal, e trouxesse o valor à igreja (At 4.36-37). Onde há espiritualidade há recursos. Mais que marketing, a igreja precisa de santidade.

O obreiro cristão secularizado é um tecnocrata. Crê que a salvação e o futuro da igreja não estão em Deus e na oração, mas em táticas humanas. Sua visão é mundana. Assim, muitas igrejas vivem de campanhas e os pastores se esmeram na criatividade para mobilizar o povo. Mas um ambiente espiritual proveria isto. Muito de nossa ação secularizadora poderia ser alvo do pedido de Paulo:

“Não extingais o Espírito” (1Ts 5.19)ACF. A verdadeira liderança se põe mãos do Espírito, vive em sua presença, e possibilita sua ação na igreja. Não o extingue, trocando-o por técnicas de animação do povo tipo: “Como liderar o povo de Deus em sua caminhada para o sucesso”. A maior característica de liderança da igreja é que ela deve ser carismática, vinda do Espírito, e não de cursinhos, livros e revistas sobre técnicas.

Na obra citada, Os Guiness traz o comentário feito por um negociante japonês a um cristão: “Sempre que encontro um líder budista, encontro um homem santo. Sempre que encontro um líder cristão, encontro um administrador” (p. 97). Isto me foi uma bofetada. A liderança cristã deve ser recrutada entre os mais santos e piedosos, os mais moldados pela Bíblia (cremos mesmo que ela é o manual de Deus à igreja?) e não entre os mais capazes na vida secular, mesmo que de espiritualidade opaca. Priorizamos a competência secular sobre a santidade, e depois descobrimos que não deu certo, porque as regras de vida da igreja diferem das regras de vida de uma empresa. Basta uma diferença para nos fazer refletir sobre isto. A saúde de uma empresa está em maximizar ganhos e minimizar gastos. Quer matar uma igreja? Faça isso! Quer ver uma igreja explodir de vida? Leve-a a investir em missões, em obreiros, em vidas. Os recursos virão. Afinal, Deus disse:

“Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos”(Ag 2.8)ACF

Está no Salmo 50.12: “Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude”(ACF)

Deus tem os recursos, mas momentaneamente os deixa com seu povo. E não precisam ser extorquidos do povo, que o traz voluntariamente quando Deus age. O problema é que parece que não cremos mais nessas coisas, e tentamos dar um jeito de fazer a igreja funcionar. Aposentamos o Espírito Santo. Estou chocado com a visão secular do reino de Deus entre nós. A proliferação de modelos eclesiásticos é uma prova disso. Damos cada vez mais valor à técnica e aos métodos. Colocamos Deus na periferia e o fazer humano no centro. Não é de admirar que vivamos em uma crise cíclica. Perdemos os alvos espirituais de vista. Eles são numéricos e quantitativos. Mas a igreja é algo muito sério para a tomarmos em nossas mãos!

No seu prefácio, Barbosa faz um interessante comentário sobre como é difícil aos pastores serem pastores. Diz ele que é porque os pastores estão afundados na idolatria: “Onde dois ou três estão reunidos e o nome de Deus é pronunciado, uma comissão está formada para a criação de um ídolo. Queremos deuses que não sejam deuses para que possamos ser ‘como deuses’” (p. 16). A tecnocracia é o grande ídolo, o bezerro de ouro de nossas igrejas e pastores. Assim, pastorado deixou de ser ensinar a Palavra e cuidar das pessoas e se tornou administrar um negócio espiritual. Deixou de ser um sacerdócio (viver na presença de Deus, ministrar a Palavra de Deus e interceder pelo rebanho de Deus) e passou a ser uma carreira religiosa. O pastor virou gerente.

O texto de Petersen, propriamente dito, se baseia em Jonas. Ele quis servir a Deus, não como este queria, mas do seu modo.

No final, sua briga com o Senhor não foi por causa do reino de Deus, mas de sua reputação pessoal. Esta é uma das lutas do pastor: preocupar-se mais com sua reputação pessoal que com a vontade de Deus. Não podemos usar a igreja e o reino como degraus para a nossa escalada pessoal rumo ao sucesso. “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Mas muita gente está escrevendo sua história pessoal tendo o evangelho como pretexto. O ministério do obreiro é promovido mais que o nome de Jesus. Em alguns lugares, lá estão o nome do obreiro (em letras garrafais) e sua foto-pôster. É um culto à personalidade, vulgar e chocante. Esta pessoa está ambicionando o lugar de Jesus. Na realidade, o obreiro sequer deveria ser promovido.

Sei que pastores estão em baixa, não tem expressão e não movimentam recursos de monta. Gerentes, sim. E muitas igrejas, estruturadas como empresas, querem gerentes, não pastores. Há rebanhos que não querem pastores, mas agem como acionistas de um negócio espiritual: querem um executivo. Não querem ouvir a voz de Deus, até mesmo porque isso é perigoso. Querem ouvir o eco de sua própria voz. E atribuem ao eco o status de voz divina.

Jonas pensou que podia servir a Deus em Társis, ao invés de Nínive. O seu negócio era servir a Deus. Então, ele tentou fazer à sua maneira, não à maneira de Deus. Como comento em meu livro “Jonas, nosso contemporâneo”, segundo os rabinos, a razão principal pela qual Jonas foi para Társis não foi por ser o lado oposto a Nínive, mas ser um lugar onde a Palavra de Deus não se fazia ouvir (com base em exegese de Isaías 66.19). Quando um homem segue seus insights foge da voz de Deus. O profeta ouve a voz de Deus. O homem religioso segue seus insights. Outra grande tentação do pastor é ser um homem religioso, e não um profeta. Porque é possível cuidar de religião sem ouvir a voz de Deus. É menos problemático cuidar de religião. Não é de estranhar a dificuldade de tantos pastores com a Bíblia, a ponto de chamarem quem cita a Bíblia de fundamentalista. Nessa enquadraram Jesus, porque ele gostava muito de dizer “Está escrito”. Gerente tem mais margem de manobra em negócios que pastor. O gerente ouve o mercado e segue as técnicas modernas. O pastor deve se guiar por noções tidas como obsoletas. E parece que o gerente e a igreja-empresa estão mais cotados que o pastor e a igreja-igreja: arrastam mais gente e aparentam mais sucesso aos olhos humanos.

Mas perguntemo-nos: isto é mesmo igreja nos moldes bíblicos? O que estamos fazendo com a igreja e com o reino de Deus?

Pastores devem ouvir a Bíblia, submeter-se a ela, reger-se por ela. Gerentes amam e seguem técnicas e soluções como

“R$ 10.000,00 em caixa”. Mas gerentes descaracterizam a igreja e a transformam num negócio secular. Precisamos recuperar o sentido bíblico de igreja, bem como os princípios bíblicos para a vida da igreja. Também precisamos recuperar a visão bíblica do ministério, trazendo o pastor de volta ao molde pastoral do Novo Testamento, e não ao figurino do gerente moderno. Caso contrário, nós que já perdemos as duas últimas décadas discutindo métodos para recuperar nossa denominação, perderemos outras, discutindo métodos e técnicas. Estamos patinando e não nos damos conta disso! Estou cansado de modelos, gráficos e desenhos que, na minha limitação gerencial, nunca entendo! Há trinta anos vejo minha denominação, que muito amo, discutir técnicas e modelos. Será que ainda não deu para notar que não é por aí? Não dá para notar que precisamos deixar os bezerros de ouro da técnica, dos modelos, do institucionalismo, e reentronizar o Deus verdadeiro em nossas igrejas? Que os rebanhos precisam de pastores e não de gerentes? Que carecemos de vida mais que de estratégias?

Solução? Não tenho, mas ouso uma sugestão. Por que, ao invés de pedir às igrejas que orem pelo Brasil, no dia 15 de outubro, não pedimos às igrejas e aos batistas da CBB, que separem o dia para orar e jejuar pela denominação? Que tal priorizarmos a oração e a espiritualidade sobre técnica, modelos, planos e gestões? Parece-me que ver a igreja como empresa e tornar o pastor em gerente é o que mais temos feito nos últimos vinte anos e não saímos do lugar. Jejuemos e oremos assim, e quem sabe, voltaremos ao pastor-pastor e à igreja-igreja. Oremos por um avivamento que nos faça retornar à simplicidade que há em Cristo (1Co 11.3). Um avivamento que nos leve a confessar e chorar nossos erros, que afaste da liderança as pessoas erradas, que leve os pastores a amarem mais as igrejas que seus ministérios, que acabe com as carreiras solos e nos reconduza ao trabalho solidário. Um avivamento que acabe com o “eu” e traga o “nós” de volta.

Quanto a mim, quero ser pastor e não gerente. Quero cuidar de um rebanho, não de uma empresa. E reitero meu amor pela igreja de Jesus, pela minha denominação, e minha crença inabalável que precisamos retornar a um caminho abandonado.

“Não removas os antigos limites que teus pais fizeram” (Pv 22.28)ACF

Temos feito isto. E nos saído mal.

Isaltino Gomes Coelho Filho

sábado, 30 de julho de 2011

Ensinos elementares da doutrina de cristo. (1º DOUTRINA: Arrependimento- Parte 1)


Arrependimento

Uma mensagem para os nossos dias.

Você já parou e refletiu sobre a época em que vive? Será que em algum momento dessa sua reflexão percebeu o nível de pecado e iníquidade em que nossa geração pratica e de que como deve estar o cálice de Deus hoje? Levando em consideração reflexões desse tipo, que mensagem você acha que a nossa geração precisa? Qual a necessidade dessa gente que caminha a passos largos para o etreno afastamento de Deus?

ARREPENDEI-VOS!



Houve uma é poca em que as coisas também iam muito mal, ao ponto de pais e filhos não se respeitarem, de existirem pessoas corruptas a tal ponto que ropubavam dos pobres sem nenhuma compaixão, existia também um departamento de segurança pública totalmente corrupto e covarde, que praticava a injustiça sem receio de coisa alguma, uma geração totalmente entregue aos desejos da caramne, servindo a satanás e um mundo totalmente coprrompido. Quando de repente surge um homem, sem status, mal vestidos, fedorento e em um lugar inapropriado (deserto) carregando uma mensagem totalmente adversa e contrária as várias mensagens existentes no mundo atual. Uma mensagem que ia de encontro a maldade, ao ego, ao individualismo, a falsa religiosidade, a mensagem que de fato iria preparar o Caminho para alguém muito maior que estava por vir.

Qual a mensagem que João batista começou a anunciar entre o povo de sua época?

Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus.” MT. 3:2

Ele só tinha isso em seus lábios grosseiros, mas cheio de vida! João Batista não negociou com o sistema, ele entendeu a sua vocação em Deus e correu para o deserto a pregar a mensagem de arrependimento.

É importante citar aqui que João Batista sabi que estava preparando o caminho para Jesus, e isso só era possível se os homens se arrependesse de seus pecados e começassem a produzirem frutos dignos de arrependimento.

Se hoje arde em seu coração uma necessidade de que Cristo venha e se manifeste entre nós, sem dúvida alguma a mensagem em que nos dará condições de preparar o ambiente não é aquela cantada por cânticos que alentam o nosso coração e sim pela dura e verdadeira mensagem do arrependimento, que muitas e muitas vezes nos causará terror e medo, porém o fim desse mensagem para quem de fato a ouve é paz e alegria no espírito.

Qual a mensagem de inauguração do ministério de Jesus?

arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus.”MT. 4:17

O contexto onde essas mensagens foram apresentadas, era o pior possível, corrupção, miséria, doença, religiosidade entre aqueles que se diziam os líderes do povo de Deus, opressão por parte dos romanos e suas influências Satânicas, ou seja, o contexto era dos piores, não havia esperança para os menos favorecidos, como os pobres, as viúvas, os que viviam a margem da sociedade.

Apesar disso, surgem dois homens anunciando coisas totalmente controversas ao estilo de vida daquele povo, assuntos como ter de se arrepender, pois estavam em estado de condenação.

A prioridade era o arrependimento, era o início de um ministério que iria mudar para sempre a forma de todo o mundo se portar ante o julgamento divino.

O que observamos hoje em dia, é que muitos acreditam que a mensagem do arrependimento é algo ultrapassado, só serve para povos bárbaros sem uma cultura como a nossa. Existem homens que se dizem pastores da igreja de Deus(ser é bem diferente de dizer),que excluíram esta mensagem de seus ensinos e pregações. Certa vez cheguei a ver uma entrevista em um canal de TV, onde determinado homem dizendo-se pastor, afirmou que é proibido pregar sobre pecado na igreja dele, pois isso não é mais necessário; segundo ele as pessoas já estavam machucadas o bastante para ouvirem de suas culpas e erros, e era tempo de animá-las a viverem em um estilo de vida vitoriosa.

Parece absurdo, mas este é o contexto da chamada igreja de Deus neste tempo, e não estou me referindo aos que não tem compromisso com a Palavra de Deus, e sim me refiro àqueles que se dizem cristãos, que carregam em seus carros adesivos de que servem a Jesus, que estão palestrando sobre a Bíblia em todos os lugares possíveis, etc.

Também é de conhecimento de todos os que estão antenados com as coisas espirituais, que segundo algumas instituições que se denominam igreja, o pecado de adultério, não é mais pecado, é algo que pode ser resolvido com 'jeitinhos” .

Um cantor muito conhecido em nosso meio simplesmente se divorciou por ter se encantado com a sua secretária, e segue com seu “ministério prosperando”, afirmando que a benção de Deus está sobre a Sua vida! E existem muitas pessoas que concordam com isso, pois vão aos seus shows, compram seus CDs, e seguem financiando o seu pecado.

Qual mensagem você acha que pode mudar esse quadro? O que você esta esperando para anunciar a essa geração a sua verdadeira realidade?Não podemos mais nos esquivar de nossas responsabilidades, e sim, precisamos enfrentar esse desafio de frente, sem medo e temendo somente a Deus!

O que é arrependimento?



Arrependimento é uma palavra comum, principalmente nos círculos religiosos. Muitas definições serão dadas a essa palavra se você perguntar a qualquer tipo de pessoa, porém o que vai fazer toda a diferença nesse tempo não é o que as pessoas dizem sobre esse tema, e sim o que a Bíblia afirma.

A palavra Arrependimento no grego significa “metanoia”, uma mudança de mente, uma mente substituída por completo, pois retira-se a primeira, e recebe uma outra. Porém esta mudança de maneira alguma pode ser realizada por meios humanos ou religiosos de raciocinar, ou de agir, e sim somente por intervenção divina na vida da pessoa, é uma operação espiritual em nossa vida, e se não for dessa maneira, não surtirá efeito algum na vida de quem almeja por esta dádiva.

Um dos aspectos no arrependimento é o deixar a velha maneira de pensar, e receber uma nova mente,e esta sendo do próprio Cristo. Deixamos de pensar como homens pecadores, e pensamos como Cristo o Homem vitorioso.


Continua....


Luciano Couto

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ensinos elementares da doutrina de Cristo. ( Introdução)


Pelo que deixando os ensinos elementares da doutrina de Cristo, prossigamos para a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas, e da fé em Deus, e o ensino sobre batismos, e imposição de mãos, e sobre ressurreição dos mortos, e o juízo eterno.” Hb. 6:1-2

Olá meus irmãos, espero e desejo que através desses rabiscos que tentarei dar aqui, possamos compreender de uma maneira simples e clara o que são os “ensinos elementares de Cristo”. Quando o autor da carta aos Hebreus fala sobre esse tipo de ensino, ele não esconde a sua frustração com aquela igreja em está se esquivando da responsabilidade de crescer na graça e no conhecimento de Deus. Ele deixou isso claro, quando confrontou a decisão deles em estarem se alimentando de leite, ao invés de partir para o alimento sólido.

Os ensinos elementares de Jesus Cristo são de extrema importância para inicio de uma caminhada cristã eficaz, deveríamos ver em nosso íntimo como respondemos a esses temas, pois se há falta de entendimento espiritual para os temas aqui tratados, podemos estar como os nossos irmãos da igreja citada pelo apóstolo.

Os ensinos elementares de Jesus Cristo tem como propósito nos levar a avançar com propriedade para a perfeição que é ser semelhante e Jesus Cristo com propriedade. São raízes fortes que além de proporcionar condições para que a árvore produza bons frutos, impedem de que os ventos fortes façam com que esta árvore seja arrancada, mesmo que sempre cresça e cresça.

Um erro que somos muito tentados a cometer, é insistir em ficar flertando com essas doutrinas, mesmo depois de esclarecidos. Paulo chama isso de meninice, ou infância espiritual, e que precisa ser combatida. De fato, as doutrinas elementares de Jesus Cristo são maravilhosas, porém não mais que Ele. Eu duvido muito que se uma pessoa que constrói uma casa ficaria tão empolgada com o alicerce que deixaria de prosseguir com toda a construção. Isso é insano, e se alguém fizer isso, por favor, ajude essa pessoa, chame um médico urgente.

Então vamos ver uma a uma quais são essas doutrinas elementares de Jesus Cristo.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Dinheiro e Possessões em Provérbios


Dinheiro e Possessões em Provérbios

Kevin DeYoung

O livro de Provérbios é um ótimo ponto de partida para desenvolvermos uma teologia bíblica sobre possessões materiais. Para iniciantes, há muitos versículos sobre este assunto. E, o que é mais importante, há várias linhas diferentes de ensino sobre o assunto. Se você começasse por Gênesis, poderia concluir que Deus sempre faz seu povo prosperar. Se começasse por Amós, poderia pensar que todas as pessoas ricas são opressoras. Mas Provérbios examina riqueza e pobreza sob vários ângulos. E, porque Provérbios é um livro de máximas gerais, os princípios que encontramos nos provérbios são mais facilmente transferíveis ao povo de Deus em diferentes épocas e lugares.

Recentemente, num domingo à noite, dei à minha congregação dez princípios extraídos de Provérbios sobre dinheiro e possessões materiais. Não quero apresentar todo o sermão aqui, mas achei que valeria a pena alistar, pelo menos, os pontos principais. Talvez eu possa apresentar os detalhes posteriormente.

Darei os pontos em ordem de quanto o livro de Provérbios diz sobre um princípio específico. Essa maneira de apresentá-los terminará com os temas mais importantes.

Dez princípios sobre dinheiro e possessões extraídos de Provérbios

  1. Há extremos de riqueza e pobreza que oferecem tentações singulares à que vivem nesses extremos (Pv 30.7-9).
  2. Não se preocupe em acompanhar o estilo de vida de seus amigos e vizinhos (Pv 12.9; 13.7).
  3. Os ricos e os pobres são mais semelhantes do que pensam (Pv 22.2; 29.13).
  4. Você não pode dar mais do que Deus (Pv 3.9-10; 11.24; 22.9).
  5. A pobreza não é agradável (Pv 10.15; 14.20; 19.4).
  6. O dinheiro não lhe pode dar segurança final (Pv 11.7; 11.28; 13.8).
  7. O Senhor odeia aqueles que ficam ricos por meio de injustiça (21.6; 22.16, 22-23).
  8. O Senhor ama aqueles que são generosos para com o pobre (Pv 14.21, 31; 19.7; 28.21).
  9. Trabalho árduo e boas decisões levam geralmente a maior prosperidade (Pv 6.6-11; 10.4; 13.11; 14.24; 21.17, 20; 22.4, 13; 27.23-27; 28.20).
  10. O dinheiro não é tudo. Não satisfaz (Pv 23.4-5). É inferior à sabedoria (Pv 8.10-11, 18-19; 24.3-4). É inferior à justiça (Pv 10.2; 11.4; 13.25; 16.8; 19.22; 20.17; 28.6). É inferior ao temor do Senhor (Pv 15.16). É inferior à humildade (Pv 16.19). É inferior a bons relacionamentos (Pv 15.17; 17.1).

Chegando a conclusões delicadas e achando a Cristo

Você não pode entender o ponto de vista bíblico sobre o dinheiro se não está preparado para aceitar diversas verdades mantidas em tensão.

Você talvez obtenha mais dinheiro se trabalhar bastante e for cheio de sabedoria. Mas, se toda a sua preocupação é obter mais dinheiro, você é um grande insensato.

O dinheiro é uma bênção da parte de Deus, mas você será mais abençoado se o der.

Deus lhe dá dinheiro porque ele é generoso; mas ele é generoso com você para que você seja generoso com os outros. E, se você é generoso em dar seu dinheiro, Deus será, provavelmente, mais generoso com você.

É sábio economizar dinheiro, mas não pense que o dinheiro lhe dá verdadeira segurança.

Riqueza é mais desejável do que pobreza, mas a riqueza não é tão boa quanto justiça, humildade, sabedoria, bons relacionamentos e o temor do Senhor.

Em 1 Coríntios 1.30-31, lemos que Cristo é para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. O dinheiro não pode lhe dar qualquer das coisas que você necessita essencialmente. Não pode torná-lo santo. Não pode torná-lo justo. Não pode salvá-lo de seus pecados. A riqueza é um sinal de bênção, mas é também uma das maiores tentações porque seduz você a gloriar-se em si mesmo. O dinheiro promete ser a sua dignidade e promete torná-lo auto-suficiente. Ele o convida a gloriar-se em outras coisas ou em outras pessoas, exceto no Senhor.

Portanto, dinheiro é totalmente uma questão de fé. Creia que fazer coisas à maneira de Deus é o melhor caminho para você. Creia que, se você der seu dinheiro, Deus pode dá-lo de volta. Creia que o dinheiro pode ser bom. Mas não ouse crer que ele é tudo. O dinheiro é um dom de Deus, mas os dons de que você realmente precisa só podem ser achados em Deus.


FONTE: www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=364

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Morte de John Bunyan



George Offor

A morte de John Bunyan ocorreu no dia 31 de Agosto de 1688, há pouco mais de trezentos anos. Bunyan nasceu em Elstow próximo a Bedford em 1628. Ele foi submetido a uma poderosa obra do Espírito de Deus em 1650. Foi pastor em Bedford por dezesseis anos, morreu em Holborn e foi sepultado em Bunhill Fields. O relato a seguir, da sua morte, é de George Offor escrito em suas memórias, de 1862.



O tempo foi chegando em que , em meio à sua utilidade, e com pouco aviso, ele seria convocado para o descanso eterno. Ele foi gravemente acometido da perigosa pestilência que em anos anteriores havia devastado o país, chamada de doença do suor, uma doença tão misteriosa e fatal quanto a cólera seria em tempos posteriores. A doença foi acompanhada por uma grande prostração da força; mas, sob a gestão cuidadosa da sua afetuosa esposa, sua saúde foi suficientemente restaurada para lhe permitir responsabilizar-se por uma obra de misericórdia; cuja conclusão, como um abençoado fechamento à sua incessante obra terrena, faria com que ele ascendesse ao seu Pai e seu Deus para ser coroado com a imortalidade. Um pai tinha ficado gravemente ofendido com seu filho, e tinha ameaçado deserdá-lo. Para evitar o duplo dano de um pai morrer com ira contra seu filho, e a horrível consequência para um filho de ser arrancado de seu patrimônio, Bunyan novamente aventurou-se, em seu debilitado estado, na sua obra costumeira de conquistar as bênçãos de um pacificador. Ele fez uma viagem a cavalo até Reading, sendo aquele o único modo de viajar naquela época, e foi recompensado com sucesso. Regressando para casa passou por Londres para transmitir as gratificantes notícias, quando foi apanhado por um grande volume de chuvas, e, em exaustão, encontrou um agradável refúgio na casa de seu amigo cristão, o senhor Strudwick, e foi ali acometido de uma febre fatal. Sua tão amada esposa, que tinha clamado tão fortemente por sua liberdade junto aos juízes, e com quem ele estava unido há trinta anos, estava distante dele. Bedford ficava então a dois dias de viagem de Londres. Provavelmente, a princípio, seus amigos tinham esperanças de uma rápida recuperação; mas quando o golpe veio, todos os seus sentimentos, e dos seus amigos, parecem ter sido tão absorvidos pelas aguardadas bênçãos da imortalidade, que não temos registros que indiquem que sua mulher, ou algum de seus filhos, tenham visto ele atravessar o rio da morte. Existe abudante testemunho de sua fé e paciência, e de que a presença de Deus estava claramente com ele.
Ele suportou seus sofrimentos com toda a paciência e coragem que poderia se esperar de um homem assim. Sua resignação foi exemplar; suas únicas manifestações foram: “um desejo de partir, de ser desfeito, de estar com Cristo”. Seus sofrimentos foram abreviados, sendo limitados a dez dias. Ele usufruiu de uma disposição mental santa, desejando que seus amigos orassem com ele, e unindo-se fervorosamente a eles neste exercício. Suas últimas palavras, enquanto lutava com a morte, foram: “não chorem por mim, mas por vós. Eu vou para o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sem dúvida, através da mediação de seu bendito Filho, me receberá, apesar de pecador, no lugar onde espero que em breve estejamos reunidos, cantando um novo cântico, e permanecendo eternamente felizes, num mundo sem fim. Amém”. Ele sentiu o chão firme a seus pés na passagem do rio negro que não tem ponte, e seguiu o seu peregrino para dentro da cidade celestial em Agosto de 1688, no sexagésimo ano da sua vida. As circunstâncias do seu pacífico falecimento são bem comparadas pelo Dr. Cheever com a experiência de Esperança, quando este foi chamado pelo Senhor a atravessar o rio - o grande sossego, o firme fundamento, o discurso aos espectadores - até que sua expressão mudou, seu homem forte rendeu-se, e suas últimas palavras foram: “Recebe-me, porque eu venho a ti”. Então houve alegria entre os anjos enquanto saudavam o herói de tantos combates espirituais, que conduziu sua alma errante na jornada para a Nova Jerusalém, a qual ele tinha descrito de forma tão bonita como “a cidade santa”; e então houve nele pasmo e assombro ao descobrir quão infinitamente aquém sua descrição tinha ficado da jubilosa realidade.


Fonte: Extraído do site Fire and Ice

Tradução: Juliano Heyse

http://www.bomcaminho.com/go001.htm

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Miséria Teológica da Igreja Brasileira



Por Rui Luis Rodrigues

Sabemos que toda generalização é um convite ao erro. No entanto, desde que considerada criticamente, a generalização se presta como ferramenta não somente útil para nossa reflexão, mas até mesmo como recurso indispensável. É justamente este o uso que pretendo fazer de uma generalização que, considerada isoladamente, poderia parecer odiosa a muitos.

Refiro-me à miséria teológica vivida pela Igreja evangélica. O juízo negativo, obviamente, não desperta simpatias. Como falar em “miséria teológica” numa época em que se multiplicam tanto as instituições teológicas brasileiras quanto as publicações (incluídas, aqui, as mais diferentes “Bíblias de estudo”)? Mais ainda: de que igreja estamos falando? Evidentemente, não há uma Igreja brasileira, mas uma diversidade de corpos eclesiais cujos históricos e experiências são necessariamente diversos. A realidade teológica desses grupos é igualmente multifacetada.

Mesmo levando em conta essa diversidade, existem elementos suficientes para embasar uma análise de conjunto. Descontados os riscos da generalização, encontramos ainda solo firme o suficiente para falarmos em termos de um “estado geral” da reflexão teológica nas comunidades evangélicas brasileiras. Não tratarei, aqui, das honrosas exceções a esse panorama, mas apenas dos elementos que têm cooperado para formar, na minha opinião, esse quadro geral.

Testemunho eloquente de nossa miséria teológica poderia ser encontrado em nossas editoras: ainda é mínimo o número de títulos teológicos publicados por autores nacionais; dentre esses, é menor ainda o de trabalhos conduzidos com seriedade teológica. Em grande medida, o que temos são textos calcados em determinadas linhas doutrinárias denominacionais ou, então, produções que não vão além de repisar temas caros ao “grande público” evangélico.

Colonização teológica

O primeiro fator determinante de nossa miséria no campo da teologia encontra-se em nossa colonização teológica. A Igreja evangélica brasileira data do século 19 e, em sua maior parte, foi estabelecida por movimentos missionários oriundos dos países anglo-saxões. Boa parte desses movimentos enfrentou, na passagem do século 19 para o 20, controvérsias em seus locais de origem entre teologias “liberais” (ou seja, mais ou menos abertas aos problemas críticos da modernidade; o designativo “liberal” é de uma imprecisão absurda) e “conservadoras” (aquelas que se opunham à “abertura” dos “liberais”). Em geral, os movimentos missionários foram patrocinados por entidades que, de uma forma ou de outra, alinharam-se às facções conservadoras em suas denominações de origem.

Isso fez com que, logo de início, os grupos evangélicos brasileiros se definissem a partir de agendas “conservadoras”. Especialmente a partir da década de 1950, o Brasil tornou-se “campo missionário” para entidades fundamentalistas norte-americanas que entendiam como sua missão “salvar” a Igreja evangélica brasileira dos perigos do “liberalismo”. Assim, no início da década de 1950, as principais igrejas evangélicas do país foram visitadas, sucessivamente, pelo pastor francês Marc Boegner, representante do Concílio Mundial de Igrejas (visto como “liberal” pelo protestantismo autóctone), e pelo pastor norte-americano Carl McIntire, presidente do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (International Council of Christian Churches ou ICCC), de tendência fundamentalista. As principais denominações conservadoras deram apoio à visita de McIntire, a ponto de considerá-la uma espécie de “cruzada” em prol da sanidade teológica do protestantismo brasileiro.[1]

Essa polarização não apenas operava distorções brutais ao trabalhar com rótulos imprecisos (“liberal”, “conservador”), mas ela também empobrecia o debate teológico, à medida que a pesquisa séria era rejeitada em função dessas mesmas rotulações vagas. Além disso, salvo poucas exceções, o mercado editorial evangélico esteve por muito tempo nas mãos de editoras ligadas a grupos denominacionais de tendências conservadoras; o que era publicado – e, consequentemente, colocado diante dos olhos do público leitor brasileiro – era fruto de um pesado controle ideológico.

Dicotomia entre teologia e devoção cristã

A esse quadro já deprimente, devemos agregar outros elementos. O movimento carismático, bem como todos os movimentos que lhe vieram na esteira (“neopentecostais”, “comunidades”, movimentos de “restauração da Igreja”; como sempre, designações assim são profundamente insatisfatórias), conservaram uma dicotomia básica entre teologia e devoção cristã. A primeira era vista ora na chave de um tradicionalismo ressequido, ora como manifestação de um “intelectualismo” inimigo da verdadeira devoção. Essa desconfiança em relação ao trabalho teológico – que, na prática, começou com os mesmos grupos “conservadores” norte-americanos que, em fins do século 19, saíram das Faculdades de Teologia e passaram a fundar seus “Institutos Bíblicos” – gerou frutos sinistros nos ambientes carismáticos: um desconhecimento profundo dos critérios teológicos mais simples, uma enorme incapacidade de fazer a “ponte hermenêutica” entre o “então” do texto bíblico e o “agora” da sua aplicação, um orgulho desmedido que enfatizava “novas revelações” e descartava como “ímpias” quaisquer críticas oriundas de uma reflexão teológica mais isenta.

Exemplos são abundantes nos meios pentecostal e carismático; lembro-me de que, cerca de 15 anos atrás, quando as comunidades evangélicas carismáticas eram varridas por fenômenos ligados a “restaurações dentárias”, uma pessoa tentou convencer-me de que a “base bíblica” para esses fenômenos estava em Amós 4.6, trecho em que lemos: “Também vos dei limpeza de dentes em todas as vossas cidades”. Na ocasião, desconversei rapidamente, até porque não estava interessado em debater com a pessoa em questão; mais tarde, em casa, consultei o texto, no qual se percebe claramente que a “limpeza de dentes” é uma referência à fome experimentada pelo povo (isso fica claro não apenas pelo contexto mais amplo, todo o capítulo 4, mas até mesmo pelo restante do versículo 6, que diz: “e falta de pão em todos os vossos lugares, contudo não voltastes para mim, diz o Senhor”). Ou então, consideremos outro exemplo, um pouco mais complexo: boa parte dos textos do Antigo Testamento invocados pelos defensores dos ensinos de “batalha espiritual” deixaria de servir a esses propósitos se fossem analisados de forma acurada, a partir de uma exegese que considerasse o momento de seu surgimento e sua intencionalidade original.

Trata-se de exemplos típicos. Esse tipo de manuseio das Escrituras no qual encontramos lá apenas e tão somente o que queremos achar tem sido tristemente comum nos ambientes pentecostal e carismático. O grande crescimento das igrejas evangélicas nos últimos anos apenas potencializou esse estado de analfabetismo teológico: não apenas pastores de pequenas comunidades, mas líderes de projeção nacional manifestam uma ignorância teológica crassa. Gente sem formação prega e ensina, fazendo com que o analfabetismo teológico gere consequências imprevisíveis no seio das comunidades.

Como causas de nossa miséria teológica, temos, portanto, a desconfiança para com o trabalho teológico, especialmente aquele conduzido com rigor crítico e metodológico, e a força de antigas rotulações, em geral aplicadas a partir de pontos de vista ideologicamente comprometidos. Somadas, essas causas resultam num panorama em que, com poucas exceções, a reflexão teológica ou é francamente desestimulada ou é mantida dentro de limites fixados de antemão pelas lideranças denominacionais.

Nesse cenário, a própria questão da relevância ou não das “Bíblias de estudo” precisa ser repensada. Sem dúvida, os objetivos a que se propõem são louváveis; todavia, justamente por falta de preparo teológico, o uso desse material pode tornar-se contraproducente. A menos que desejemos tomar determinada “Bíblia de estudo” como infalível, devemos reconhecer que todas elas devem ser apropriadas criticamente; em outras palavras, numa Bíblia de estudo devem ser objetos de reflexão crítica não apenas as colocações mais abertamente teológicas ou “confessionais”, mas também as informações de natureza histórica e arqueológica (visto que estas também não representam dados isentos, mas estão, na maioria das vezes, atreladas a posicionamentos ideológicos e dependem das interpretações de seus formuladores). No entanto, esse tipo de reflexão crítica não é algo que fazemos de maneira automática; é preciso aprender a pensar criticamente. Transmitir essa habilidade deveria ser uma das funções de um bom curso teológico.

Em suma, apenas o trabalho teológico sério pode reverter a miséria teológica na qual fomos mantidos por muito tempo. Enquanto não rompermos a (falsa) dicotomia entre reflexão e devoção, e enquanto não superarmos os (falsos) rótulos que tanto assustaram no passado a Igreja evangélica brasileira, continuaremos vítimas do subdesenvolvimento teológico.

Rui Luis Rodrigues é teólogo e historiador. Vive em Osasco/SP com sua esposa e filho e participa da Comunidade Carisma. É autor de Realização do homem, realização de Deus: Ensaios de Teologia e Espiritualidade (Editora Reflexão, 2009) e de Deus ama o que é humano – E outros estudos de espiritualidade (Editora Reflexão, 2010).

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/a-miseria-teologica-da-igreja-brasileira